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domingo, 30 de setembro de 2007

Viagem

não me arrependo

de ter guardado mágoas

jamais pensei

que fosse bom pra mim

mas a razão

não é soberana

e agora é agústia

sem fim


alguém cai de joelhos

sobre meu peito

uma dor que esmaga

meu coração

o rancor, a dúvida

a melancolia

escorrendo como areia

fria entre os dedos

nenhum ser humano

deveria sofrer

para provar virtudes


se eu soubesse

dominar

meus mais baixos

impulsos

saberia talvez contornar

minha raiva inútil

mas isso não passa

de reflexão

pensamentos

de passagem

e outros passos

da viagem

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CORRÊA, Thedy. Viagem. In:______. Bruto. Porto Alegre: L&PM, 2006. p. 22.

sábado, 15 de setembro de 2007

Several Ways To Die Trying

Pacific sun,
You should have warned us it gets so cold here
And the night can freeze before you set a fire
And our flames go unnoticed, diminished
Faded just as soon as they are fired

We are, we are, intrigued
We are, we are invisible

Oh how we shouted, how we screamed
Take notice, take interest, take me with you
When all our fears fall on the deaf ears tonight
They're burning the roads they built to lead us to the light
And blinding our hearts with their shining lies

We're closing our caskets, cold and tight
But im dying to live...

Pacific sun,
You should have warned us these heights are dizzying
And the climb can kill you long before the fall
And our trails go unmarked and unmapped and...
Covered just as soon as they are crossed

We are, we are, intriguing
We are, we are, desirable

Oh how we shouted, how we screamed
Take notice, take interest, take me with you
When all our fears fall on the deaf ears tonight
They're burning the roads they built to lead us to the light
And blinding our hearts with their shining lies

We're closing our caskets, cold and tight
But I'm dying to live...
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CD: A Mark, A Mission, A Brand, A Scar; Dashboard Confessional, 2005.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Sweetbum Zack

He told me on the radio everynight
Spoke much of love to me
And for everyone

Sweetbum zack
Calls for her
And still talking for lovers
Sweetbum zack
Call for her
And still talking for lovers

This is the sound of the night
Hurting your soul, increasing your heartbeat
This is the sound of night
Making in your face a mask of tears

When the morning has broken
The sweet taste of the night
Tihs was the end of a joke
This was the end of the bright

Sweetbum zack
Return to his life
So serious so sad
And so lonely life
Sweetbum zack
Return to his life
So serious so sad
And so lonely life

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CD: Cardume; Nenhum de Nós, 1989.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

La Despedida

Algo se detuvo en punto muerto
Y fue tan grande ese silencio, fue tan grande el desamor
Restos de un navío que encallaba
Yo te quise, yo te amaba
No se bien lo qué pasó

Cuando los jazmines no perfuman
Cuando sólo vemos bruma
Cuando el cuento terminó
Todo nos parece intranscendente
No es cuestión de edad o de suerte
De esto se trata el amor

Tengo que correr, tienes que correr a toda velocidad
A toda velocidad ....

Veo tus pupilas descubriendo algún Chagall
En el invierno, creo del '83
Yo estoy a tu lado revolviendo,
Ordenando libros viejos que leí pero olvidé


Besos de tu madre en el teléfono
Y la lluvia es un espejo que me ayuda a verte bien
Oigo tu sonrisa que ilumina el estudio y la cocina
Entre las copas y el café

Tengo que correr, tienes que correr a toda velocidad
A toda velocidad ...

Sabe amargo el licor de las cosas queridas
Se acabó lo mejor, ¿quién nos quita esta herida?
Tu me pierdes a mí yo te doy por perdida
Es la hora de huir, la despedida,La despedida ...

Tengo que correr, tienes que correr a toda velocidad
A toda velocidad ...
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CD: Abre; Fito Paez, 1999.

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Partir, Andar

Partir, andar, eis que chega
É essa velha hora tão sonhada
Nas noites de velas acesas
No clarear da madrugada
Só uma estrela anunciando o fim

Sobre o mar, sobre a calçada
E nada mais te prende aqui
Dinheiro, grades ou palavras

Partir, andar, eis que chega
Não há como deter a alvorada
Pra dizer, um bilhete sobre a mesa
Pra se mandar, o pé na estrada
Tantas mentiras e no fim

Faltava só uma palavra
Faltava quase sempre um sim
E agora já não falta nada

Eu não quis
Te fazer infeliz
Não quis
Por tanto não querer
Talvez fiz

Partir, andar, eis que chega

É essa velha hora tão sonhada
Nas noites de velas acesas
No clarear da madrugada
Só uma estrela anunciando o fim

Sobre o mar, sobre a calçada
E nada mais te prende aqui
Agora já não falta nada
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CD: O som do sim; Herbert Vianna, 2000.

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Amores Apertados

Sabe aqueles banheiros mínimos, que quando um entra o outro tem que sair? Têm amores que parecem um banheiro apertado: só cabe um.

Ela ama o cara. Interessa-se pela sua vida, seu trabalho, seus estudos, seu esporte, seus amigos, sua família, enfim, ela está inteira na dele. Ele, por sua vez, recebe isso de muito bom grado, mas não retribui. Não pergunta pelo trabalho dela, pelas angustias dela, por nada que lhe diga respeito. Ela, obviamente, não gosta dessa situação, mas vai levando, levando, até que um belo dia sua paciência se esgota e ela tira o time de campo. Aí ele entra.

De repente, como num passe de mágica, ele se dá conta de como ela é legal, de como ele tem sido distante, de como vai ser duro ficar sem sua menina. Então ele a torpedeia com e-mails e telefonemas carinhosos. Mas ela é gata escaldada, não vai entrar nessa de novo. Ele insiste. Quer vê-la, quer que ela entenda que ele é desse jeito tosco mesmo, mas que no fundo ela é a mulher da vida dele. Ela é gata escaldada, mas não é de gelo: então ta, vamos tentar de novo. Ela entra com tudo. Com a namorada resgatada, ele se isola novamente em seu próprio mundo, deixando-a conduzir tudo sozinha. É ela que o procura, é ela que o elogia, é ela que arma os programas, é ela quem lembra das datas, só ela. Quer saber: to fora!

Aí ele entra. Pô, gata, prometo, juro, ó: vou cobrir você de carinho. E não é que ele cumpre? Passa a tratá-la como uma deusa, superatencioso, parece outro homem. Ela aceita a deferência, mas não entra mais nesse jogo. Simplesmente não retribui o afeto dele, quase nunca telefona, sai com as amigas toda hora, e ele ali, no maior esforço. Ela esnobando, ele tentando, ela se fazendo, ele se declarando. Até que ele enche: tô fora.

Aí ela entra. E ele esfria, e ela cai fora, e ele volta, e seguem nesse entra e sai até o desgaste total.

Bom mesmo é amor em que cabem os dois juntos.

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MEDEIROS, Martha. Amores apertados. IN: _______. Non-stop: crônicas do cotidiano. 6. ed. Porto alegre: L&PM, 2006. p. 182.