Algo se detuvo en punto muerto
Y fue tan grande ese silencio, fue tan grande el desamor
Restos de un navío que encallaba
Yo te quise, yo te amaba
No se bien lo qué pasó
Cuando los jazmines no perfuman
Cuando sólo vemos bruma
Cuando el cuento terminó
Todo nos parece intranscendente
No es cuestión de edad o de suerte
De esto se trata el amor
Tengo que correr, tienes que correr a toda velocidad
A toda velocidad ....
Veo tus pupilas descubriendo algún Chagall
En el invierno, creo del '83
Yo estoy a tu lado revolviendo,
Ordenando libros viejos que leí pero olvidé
Besos de tu madre en el teléfono
Y la lluvia es un espejo que me ayuda a verte bien
Oigo tu sonrisa que ilumina el estudio y la cocina
Entre las copas y el café
Tengo que correr, tienes que correr a toda velocidad
A toda velocidad ...
Sabe amargo el licor de las cosas queridas
Se acabó lo mejor, ¿quién nos quita esta herida?
Tu me pierdes a mí yo te doy por perdida
Es la hora de huir, la despedida,La despedida ...
Tengo que correr, tienes que correr a toda velocidad
A toda velocidad ...
___________________________________
CD: Abre; Fito Paez, 1999.
quinta-feira, 30 de agosto de 2007
terça-feira, 28 de agosto de 2007
Partir, Andar
Partir, andar, eis que chega
É essa velha hora tão sonhada
Nas noites de velas acesas
No clarear da madrugada
Só uma estrela anunciando o fim
Sobre o mar, sobre a calçada
E nada mais te prende aqui
Dinheiro, grades ou palavras
Partir, andar, eis que chega
Não há como deter a alvorada
Pra dizer, um bilhete sobre a mesa
Pra se mandar, o pé na estrada
Tantas mentiras e no fim
Faltava só uma palavra
Faltava quase sempre um sim
E agora já não falta nada
Eu não quis
Te fazer infeliz
Não quis
Por tanto não querer
Talvez fiz
Partir, andar, eis que chega
É essa velha hora tão sonhada
Nas noites de velas acesas
No clarear da madrugada
Só uma estrela anunciando o fim
Sobre o mar, sobre a calçada
E nada mais te prende aqui
Agora já não falta nada
___________________________________
CD: O som do sim; Herbert Vianna, 2000.
É essa velha hora tão sonhada
Nas noites de velas acesas
No clarear da madrugada
Só uma estrela anunciando o fim
Sobre o mar, sobre a calçada
E nada mais te prende aqui
Dinheiro, grades ou palavras
Partir, andar, eis que chega
Não há como deter a alvorada
Pra dizer, um bilhete sobre a mesa
Pra se mandar, o pé na estrada
Tantas mentiras e no fim
Faltava só uma palavra
Faltava quase sempre um sim
E agora já não falta nada
Eu não quis
Te fazer infeliz
Não quis
Por tanto não querer
Talvez fiz
Partir, andar, eis que chega
É essa velha hora tão sonhada
Nas noites de velas acesas
No clarear da madrugada
Só uma estrela anunciando o fim
Sobre o mar, sobre a calçada
E nada mais te prende aqui
Agora já não falta nada
___________________________________
CD: O som do sim; Herbert Vianna, 2000.
sexta-feira, 24 de agosto de 2007
Amores Apertados
Sabe aqueles banheiros mínimos, que quando um entra o outro tem que sair? Têm amores que parecem um banheiro apertado: só cabe um.
Ela ama o cara. Interessa-se pela sua vida, seu trabalho, seus estudos, seu esporte, seus amigos, sua família, enfim, ela está inteira na dele. Ele, por sua vez, recebe isso de muito bom grado, mas não retribui. Não pergunta pelo trabalho dela, pelas angustias dela, por nada que lhe diga respeito. Ela, obviamente, não gosta dessa situação, mas vai levando, levando, até que um belo dia sua paciência se esgota e ela tira o time de campo. Aí ele entra.
De repente, como num passe de mágica, ele se dá conta de como ela é legal, de como ele tem sido distante, de como vai ser duro ficar sem sua menina. Então ele a torpedeia com e-mails e telefonemas carinhosos. Mas ela é gata escaldada, não vai entrar nessa de novo. Ele insiste. Quer vê-la, quer que ela entenda que ele é desse jeito tosco mesmo, mas que no fundo ela é a mulher da vida dele. Ela é gata escaldada, mas não é de gelo: então ta, vamos tentar de novo. Ela entra com tudo. Com a namorada resgatada, ele se isola novamente em seu próprio mundo, deixando-a conduzir tudo sozinha. É ela que o procura, é ela que o elogia, é ela que arma os programas, é ela quem lembra das datas, só ela. Quer saber: to fora!
Aí ele entra. Pô, gata, prometo, juro, ó: vou cobrir você de carinho. E não é que ele cumpre? Passa a tratá-la como uma deusa, superatencioso, parece outro homem. Ela aceita a deferência, mas não entra mais nesse jogo. Simplesmente não retribui o afeto dele, quase nunca telefona, sai com as amigas toda hora, e ele ali, no maior esforço. Ela esnobando, ele tentando, ela se fazendo, ele se declarando. Até que ele enche: tô fora.
Aí ela entra. E ele esfria, e ela cai fora, e ele volta, e seguem nesse entra e sai até o desgaste total.
Bom mesmo é amor em que cabem os dois juntos.
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Ela ama o cara. Interessa-se pela sua vida, seu trabalho, seus estudos, seu esporte, seus amigos, sua família, enfim, ela está inteira na dele. Ele, por sua vez, recebe isso de muito bom grado, mas não retribui. Não pergunta pelo trabalho dela, pelas angustias dela, por nada que lhe diga respeito. Ela, obviamente, não gosta dessa situação, mas vai levando, levando, até que um belo dia sua paciência se esgota e ela tira o time de campo. Aí ele entra.
De repente, como num passe de mágica, ele se dá conta de como ela é legal, de como ele tem sido distante, de como vai ser duro ficar sem sua menina. Então ele a torpedeia com e-mails e telefonemas carinhosos. Mas ela é gata escaldada, não vai entrar nessa de novo. Ele insiste. Quer vê-la, quer que ela entenda que ele é desse jeito tosco mesmo, mas que no fundo ela é a mulher da vida dele. Ela é gata escaldada, mas não é de gelo: então ta, vamos tentar de novo. Ela entra com tudo. Com a namorada resgatada, ele se isola novamente em seu próprio mundo, deixando-a conduzir tudo sozinha. É ela que o procura, é ela que o elogia, é ela que arma os programas, é ela quem lembra das datas, só ela. Quer saber: to fora!
Aí ele entra. Pô, gata, prometo, juro, ó: vou cobrir você de carinho. E não é que ele cumpre? Passa a tratá-la como uma deusa, superatencioso, parece outro homem. Ela aceita a deferência, mas não entra mais nesse jogo. Simplesmente não retribui o afeto dele, quase nunca telefona, sai com as amigas toda hora, e ele ali, no maior esforço. Ela esnobando, ele tentando, ela se fazendo, ele se declarando. Até que ele enche: tô fora.
Aí ela entra. E ele esfria, e ela cai fora, e ele volta, e seguem nesse entra e sai até o desgaste total.
Bom mesmo é amor em que cabem os dois juntos.
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MEDEIROS, Martha. Amores apertados. IN: _______. Non-stop: crônicas do cotidiano. 6. ed. Porto alegre: L&PM, 2006. p. 182.
quarta-feira, 22 de agosto de 2007
Eu Te Amo
Outro dia eu estava assistindo a uma apresentação da poeta Elisa Lucinda num sarau em Porto Alegre, onde ela, mais uma vez, hipnotizou a platéia com seu talento vulcânico e seu humor. Num certo momento, ela questionou a razão de os homens terem tanto receio de dizer “eu te amo”. Parece que dizer “eu te amo” tem um extenso prazo de validade que dispensa repetições. Elisa fez piada: uma mulher diz para o marido: “eu te amo, e você?” Ele responde “O que é isso mulher, já não disse no aniversário do teu sobrinho ano passado? Parece que bebe!”.
São de Elisa os versos: “o euteamo é da dinâmica dos dias/ é do melhoramento do amor/ é do avanço dele/ é verbo de consistência/ é conjugação de alquimia/ é do departamento das coisas eternas”. Ou seja: se não nos basta ouvir uma única vez o barulho do mar, se nunca enjoamos do pôr-do-sol, por que o “eu te amo” teria que ser uma raridade em nossas vidas?
Bem, há uma explicação. Você pode dizer que gosta de uma pessoa, até mesmo que a adora, e isto não configurar um compromisso. Mas amar e outra história. O amor não é um sentimento efêmero, semanal. Não ama-se e desama-se como quem troca de roupa. O amor tem o caráter de permanência. E num mundo de múltiplas possibilidades, de ofertas de amor em cada esquina, de ficação em festas e relacionamentos virtuais, quem vai querer se amarrar pela palavra?
Pena. Porque as pessoas amam. Amam muito. Podem até ficar com outras, mas quase sempre amam verdadeiramente alguém. E não se revelam. Não revelam esse amor para quem o desconhece, e nem mesmo para quem está ali, todos os dias ao seu lado, porque amar parece sinal de fraqueza, olhe só como andam tortas as idéias.
Amar cria raiz, sim. Cria, independentemente de ser verbalizado. Basta sentir o amor para que fiquemos dependentes dele, uma dependência boa, daquilo que nos faz sentir vivos. Dizê-lo em voz alta não nos acorrenta: ao contrario, nos liberta. Dizer ‘eu te amo” é presente pro amado. Como diz Elisa Lucinda, tudo na vida é novidade: comer, dormir, transar. Tudo é estréia, e amar, logicamente, também é sempre novo e passível de reconhecimento contínuo. Meninos e meninas: digam.
São de Elisa os versos: “o euteamo é da dinâmica dos dias/ é do melhoramento do amor/ é do avanço dele/ é verbo de consistência/ é conjugação de alquimia/ é do departamento das coisas eternas”. Ou seja: se não nos basta ouvir uma única vez o barulho do mar, se nunca enjoamos do pôr-do-sol, por que o “eu te amo” teria que ser uma raridade em nossas vidas?
Bem, há uma explicação. Você pode dizer que gosta de uma pessoa, até mesmo que a adora, e isto não configurar um compromisso. Mas amar e outra história. O amor não é um sentimento efêmero, semanal. Não ama-se e desama-se como quem troca de roupa. O amor tem o caráter de permanência. E num mundo de múltiplas possibilidades, de ofertas de amor em cada esquina, de ficação em festas e relacionamentos virtuais, quem vai querer se amarrar pela palavra?
Pena. Porque as pessoas amam. Amam muito. Podem até ficar com outras, mas quase sempre amam verdadeiramente alguém. E não se revelam. Não revelam esse amor para quem o desconhece, e nem mesmo para quem está ali, todos os dias ao seu lado, porque amar parece sinal de fraqueza, olhe só como andam tortas as idéias.
Amar cria raiz, sim. Cria, independentemente de ser verbalizado. Basta sentir o amor para que fiquemos dependentes dele, uma dependência boa, daquilo que nos faz sentir vivos. Dizê-lo em voz alta não nos acorrenta: ao contrario, nos liberta. Dizer ‘eu te amo” é presente pro amado. Como diz Elisa Lucinda, tudo na vida é novidade: comer, dormir, transar. Tudo é estréia, e amar, logicamente, também é sempre novo e passível de reconhecimento contínuo. Meninos e meninas: digam.
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MEDEIROS, Martha. Eu te amo. IN: ________. Non stop: crônicas do cotidiano. 6.ed. Porto Alegre: L&PM. p.149.
MEDEIROS, Martha. Eu te amo. IN: ________. Non stop: crônicas do cotidiano. 6.ed. Porto Alegre: L&PM. p.149.
domingo, 19 de agosto de 2007
Tão Diferente
O seu amor é confuso
É desorientado
O meu amor é inocente
Ele é sem pecado
O seu amor não tem rumo
É dissimulado
O meu amor é urgente
É desesperado
O seu amor é ao acaso
É desencontrado
O meu amor é uma febre
Ele é declarado
O seu amor é pálido
É desfigurado
O meu amor é claro
Um dia ensolarado
Diga que mal tem
Esperar o amor de alguém
Que de mim é assim
Tão diferente
O seu amor é confuso
É desorientado
O meu amor é inocente
Ele é sem pecado
O seu amor é inconseqüente
Ele não tem passado
O meu amor quer um futuro
Para ser lembrado
__________________________________
CD: Paz e Amor; Nenhum de Nós, 1998.
É desorientado
O meu amor é inocente
Ele é sem pecado
O seu amor não tem rumo
É dissimulado
O meu amor é urgente
É desesperado
O seu amor é ao acaso
É desencontrado
O meu amor é uma febre
Ele é declarado
O seu amor é pálido
É desfigurado
O meu amor é claro
Um dia ensolarado
Diga que mal tem
Esperar o amor de alguém
Que de mim é assim
Tão diferente
O seu amor é confuso
É desorientado
O meu amor é inocente
Ele é sem pecado
O seu amor é inconseqüente
Ele não tem passado
O meu amor quer um futuro
Para ser lembrado
__________________________________
CD: Paz e Amor; Nenhum de Nós, 1998.
sábado, 18 de agosto de 2007
Balada do Asfalto
Me dê um beijo, meu amor
Só eu vejo o mundo com meus olhos
Me dê um beijo, meu amor
Hoje eu tenho cem anos, hoje eu tenho cem anos
E meu coração bate como um pandeiro num samba dobrado
Vou pisando asfalto entre os automóveis
Mesmo o mais sozinho nunca fica só
Sempre haverá um idiota ao redor
Me dê um beijo, meu amor
Os sinais estão fechados
E trago no bolso uns trocados pro café
E o futuro se anuncia num out-door luminoso
Luminoso o futuro se anuncia num out-door
Há tantos reclamos pelo céu
Quase tanto quanto nuvens
Um homem grave vende risos
A voz da noite se insinua
E aquele filme não sai da minha cabeça
E aquele filme não sai da minha cabeça
Rumino versos de um velho bardo
Parece fome o que eu sinto
Eu sinto como se eu seguisse os meus sapatos por aí
Eu sinto como se eu seguisse os meus sapatos por aí
Há alguns dias atrás vendi minha alma a um velho apache
Não é que eu ache que o mundo tenha salvação
Mas como diria o intrépido cowboy,
fitando o bandido indócil
A alma é o segredo, a alma é o segredo
A alma é o segredo do negócio.
__________________________________
CD: Baladas do asfalto e Outros Blues; Zeca Baleiro, 2005.
Só eu vejo o mundo com meus olhos
Me dê um beijo, meu amor
Hoje eu tenho cem anos, hoje eu tenho cem anos
E meu coração bate como um pandeiro num samba dobrado
Vou pisando asfalto entre os automóveis
Mesmo o mais sozinho nunca fica só
Sempre haverá um idiota ao redor
Me dê um beijo, meu amor
Os sinais estão fechados
E trago no bolso uns trocados pro café
E o futuro se anuncia num out-door luminoso
Luminoso o futuro se anuncia num out-door
Há tantos reclamos pelo céu
Quase tanto quanto nuvens
Um homem grave vende risos
A voz da noite se insinua
E aquele filme não sai da minha cabeça
E aquele filme não sai da minha cabeça
Rumino versos de um velho bardo
Parece fome o que eu sinto
Eu sinto como se eu seguisse os meus sapatos por aí
Eu sinto como se eu seguisse os meus sapatos por aí
Há alguns dias atrás vendi minha alma a um velho apache
Não é que eu ache que o mundo tenha salvação
Mas como diria o intrépido cowboy,
fitando o bandido indócil
A alma é o segredo, a alma é o segredo
A alma é o segredo do negócio.
__________________________________
CD: Baladas do asfalto e Outros Blues; Zeca Baleiro, 2005.
