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sábado, 4 de outubro de 2008

Caio F., eternamente

Texto lindo, Karol que me passou...

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Poucos nomes tornaram-se ícones indiscutíveis da cultura queer brasileira. Nesse seleto grupo, um dos mais reverenciados é, sem dúvida, Caio Fernando Abreu. Se ainda estivesse entre nós, mortais, Caio teria completado 60 anos no último dia 12 de setembro.

Jornalista bissexto, trabalhou na imprensa apenas o suficiente para ganhar algum $$$ (era com três cifrões que ele grafava a palavra "dinheiro", principalmente quando esse fazia falta). Foi na literatura que Caio se destacou. Limitá-lo, porém, a seus escritos não é suficiente para falar desse escritor que construiu uma estética da existência inigualável.

Gaúcho sem fronteiras

Caio Fernando Abreu nasceu em 1948, na cidade de Santiago, Rio Grande do Sul, e morreu em 1996, na capital Porto Alegre. Mas Caio foi um cidadão do mundo. Curioso e irrequieto, foi muito além do que podia-se esperar de um gaúcho que nasceu no interior do Rio Grande do Sul, em uma cidade da região de Missões, fundada por jesuítas ainda no século XVI, mas com uma população minúscula que nem chegava a 50 mil habitante.

Cursou Letras e Artes Cênicas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, mas não concluiu nenhum dos cursos. Veio para São Paulo e começou a escrever para revistas de grande circulação (Nova, Manchete, Veja, Pop). Durante a ditadura, chegou a ser perseguido pela polícia. Para se esconder, passou um tempo no sítio que a escritora Hilda Hilst possuía em Campinas, interior do estado de São Paulo.

Isso foi em 1968, pouco antes da promulgação do AI-5, ato institucional que fechou ainda mais a repressão. Com o acirramento da censura e da perseguição política, Caio exilou-se por um ano na Europa, passando pela Inglaterra, Suécia, França, Países Baixos e Espanha. Voltou para Porto Alegre, onde usava cabelos vermelhos, brincos nas duas orelhas, batas de veludo cobertas de espelhos, tudo isso em pleno regime militar. Ficou na capital gaúcha até 1983, quando se mudou para o Rio e, dois anos depois, para São Paulo. Sobre o Rio, ele escreveu: "Bem, finalmente estou aqui, e me sentindo muito bem, num lugar fantástico, meio tropical, meio colonial, meio bávaro. Meio muito. Estou ficando saudável, bonito & corado. Uma gracinha. Só me falta agora arrumar um Grande Amor. Assim mesmo, com letras maiúsculas. Virá logo: a cidade é mágica, sensual, afetiva, tesuda".

Em 1994, morou em Paris, mas por pouco tempo. Descobriu-se portador do HIV em uma época pré-coquetel. Por sugestão da amiga Grace Gianouskas (que anos mais tarde se tornaria famosa com a stand-up comedy Terça Insana), retornou para a casa dos pais, em Porto Alegre.

Lirismo engajado

"A homossexualidade não existe, nunca existiu. Existe sexualidade - voltada para um objeto qualquer de desejo. Que pode ou não ter genitália igual, e isso é detalhe. Mas não determina maior ou menor grau de moral ou integridade". É paradoxal pensar que um artista assumidamente gay tenha dito que a homossexualidade não existe. No entanto, cabe lembrar que Caio é herdeiro tanto da chamada revolução sexual dos anos 1960, com seus ideais de amor livre, quanto do desbunde dos anos 1970, que defendia quebras de qualquer limites ou rótulos e cuja maior expressão está na chamada "amizade colorida", uma espécie de relacionamento aberto que chegou até a dar nome a um seriado da Rede Globo.

Ainda que avesso a rótulos, Caio Fernando foi um defensor dos direitos sexuais, mesmo sem militar organicamente. Sua própria existência já dava conta de seu engajamento, ao tratar abertamente de seu desejo por outros homens. Caio freqüentava os ambientes intelectualizados e culturais, mas sempre manteve o pé no underground. Em uma época em que travestis eram anônimas, dedicou um conto e uma carta a Cláudia Wonder (Linda, uma história horrível e Meu amigo Cláudia).

Mas foi sobretudo com sua obra que Caio Fernando mais contribuiu para que a homossexualidade deixasse de ser tabu. No conto Aqueles dois, por exemplo, publicado no livro Morangos mofados, de 1982, ele coloca dois homens em uma situação bem conhecida de muitos gays: as restrições do ambiente de trabalho. Fugindo de qualquer rotulação, dois funcionários de uma repartição pública desenvolvem uma amizade tão intensa que acaba incomodando seus colegas. Caio não deixa saber se os dois teriam ou não algum envolvimento sexual - e é justamente com isso que ele coloca o preconceito em foco. Afinal, por que dois homens não podem amar-se tanto?

A dor

A doença parece não ter incomodo Caio profundamente. Quando soube que era soropositivo, escreveu uma crônica no jornal O Estado de S. Paulo. Dizia ter sido inevitável, uma vez que muitos homossexuais de sua geração estavam com aids. Sua vida foi uma ponte entre dois mundos, o do conservadorismo dos anos que precederam a década de 1960, e o da suposta liberdade pós-1968. Esse trânsito não se fez sem dor. Pelo contrário: viver sem padrões definidos, ou em busca da felicidade ainda que sem regras, não foi fácil. Talvez seja por isso, justamente, que sua obra é constantemente adaptada para o teatro em montagens que revelam a dor de existir.

É esse o caso, por exemplo, de Réquiem para um rapaz triste, de Rodolfo Lima, sobre as personas femininas de Caio Fernando. E Os dragões, de Fernanda Boechat, que mostra como é difícil sobre(viver) após uma separação. Esse tema, aliás, aparece reiteradamente na obra de Caio Fernando. No conto, Os dragões não conhecem o paraíso, ele trata do ser amado que o abandonou, apresentado como um dragão. Diz Caio: "Só quem já teve um dragão em casa pode saber como essa casa parece deserta depois que ele parte. Dunas, geleiras, estepes. Nunca mais reflexos esverdeados pelos cantos, nem perfume de ervas pelo ar, nunca mais fumaças coloridas ou formas como serpentes espreitando pelas frestas de portas entreabertas. Mais triste: nunca mais nenhuma vontade de ser feliz dentro da gente, mesmo que essa felicidade nos deixe com o coração disparado, mãos úmidas, olhos brilhantes e aquela fome incapaz de engolir qualquer coisa. A não ser o belo, que é de ver, não de mastigar, e por isso mesmo também uma forma de desconforto. No turvo seco de uma casa esvaziada da presença de um dragão, mesmo voltando a comer e a dormir normalmente, como fazem as pessoas banais, você não sabe mais se não seria preferível aquele pantanal de antes, cheio de possibilidades – que não aconteciam, mas que importa? – a esta secura de agora. Quando tudo, sem ele, é nada."

Alecrim e manjericão

Aos 47 anos, morando com os pais, doente, ele dizia que passava o tempo "cuidando de rosas no jardim, fazendo canteiros com arruda, alecrim, manjericão". Voltar-se para o cotidiano, para a vida que segue independente de nós, foi um exercício zen que ajudou Caio a lidar com a aids. Dizia também "barganhar com Deus tempo para escrever pelo menos mais seis livros".

"Ando bem, mas um pouco aos trancos. Como costumo dizer, um dia de salto sete, outro de sandália havaiana. É preciso ter muita paciência com esse vírus do cão. E fé em Deus. E falanges de anjos-da-guarda fazendo hora extra. E principalmente amigos como você e muitos outros, graças a Deus, que são melhores que AZT".

Caio nos deixou com suavidade. Mas deixou-nos acolhidos e reconfortados com sua obra e com os reflexos de sua vida que ainda brilham. No final de Os dragões não conhecem o Paraíso, uma voz materna surge para nos dar o que seria seu conselho máximo para todos: "Que seja doce".

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Em uma palavra: adoooooroo!
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terça-feira, 30 de setembro de 2008

30 de Setembro de 2008.

Falta de criatividade é foda! nem pra um título decente... mas tá.

Só pra constar: não larguei isso não, tô só aprendendo a estabelecer -e cumprir- prioridades... computador não é mais um vício, comecei um tratamento homeopático, em breve o orgânico e por aí vai... com o tempo tudo se ajeita.

E olha eu falando dessa coisa de novo... tempo. ultimamente eu desisti até de pensar nele. só sei que hoje é dia 30, ontem foi dia 29 e a passagem do dito cujo tem me feito bem, muito bem. Outubro daqui a pouquinho, NdN dia 07 de novo e vamo que vamo que o semestre não pode parar! Mas não abro mão de duas coisas: O Jogo do Anjo [sim, saiu!!! o/] (Zafón!) e Doidas e Santas (Martha!). E ainda tem alguns que comprei esse ano e me recuso a entrar 2009 sem ler. Falta só pegar de volta com a Carol [não que eu precise de pretexto pra vê-la, mas enfim...]... =)

Ah, ainda falta falar aqui de semana retrasada [será? parece que faz mais, mas anyway... um dia aí!], quando re-re-li 2 vezes O Mundo é Pra Ser Voado, da Vivina de Assis Viana. Lindo, lindo, lindo. Mas depois digo o que escrevi no mesmo dia.

Ouvindo: [loucamente] amy, train, garbage [matando saudade do início!], NdN [ladoB bombando!], jamie, a idade do céu, vida cigana [sim, ainda!] e circo, sempre circo...

Saudade da Débora, do Rogério, do Andrés, da Carol, do Fernando, da Leh, do Fog, do Bill... não necessariamente nessa mesma ordem... e de quando os gnus africanos tinham percursos mias atraentes pra excursão... ¬¬' Ah, saudade de conversar com meus adultos favoritos também.

E saudade de dormir, mas essa vou aniquilar agora.. ;)

hasta!

sábado, 13 de setembro de 2008

Vida Cigana

Oh meu amor, não fique triste
Saudade existe pra quem sabe ter
Minha vida cigana me afastou de você
Por algum tempo eu vou ter que viver por aqui
Longe de você
Longe do seu carinho e do seu olhar
Que me acompanha já tem muito tempo
Penso em você a cada momento
Sou água de rio que vai para o mar
Sou nuvem nova quem vem pra molhar essa noiva
Que é você
Pra mim você é linda
A dona do meu coração
Que bate tanto quando te vê
É a verdade que me faz viver
Meu coração bate tanto quando te vê
É a verdade que me faz viver por aqui...
___________________________________

[sorry people, mas não sei de nenhum cd com essa música.
A Versão que ouço é esta aqui]

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Eureka!

Descobri, gente. O que tava me faltando era "só" a dança. Uma aula hoje e eu já me sinto tão melhor! Mesmo com a chuva, esse tempinho de tentativa mal sucedida de Londres, esse frio, algo me diz que dançar já é meio caminho andado pra -que seja- amenizar as crises pseudo psicótico-depressivas... o/

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Se eu parei de escrever? Parei nada, caderninho e notebook do google bombando!! É só que não tenho me dedicado tanto a este meio... Chego em casa e o sono me domina, mas não priem cânico, um dia eu disponibilizo tudinho pras três pessoas que lêem ao menos um dos meus blogs... ;)

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Lendo: O Bibliófilo Aprendiz, de Rubens Borba de Moraes. Tiiiipo... livro bom, idéia interessante, mas é muita prepotência e arrogância pra menos de 50 páginas., cruz credo. Eu vou terminar, mas de teimosa... Sabino é bem mais legal! E agora, com cartão Saraiva, Deus defenda meu salário! Achei todos do Adams, mais Las Luces de Septiembre [*-*], e Angels&Demons ilustrado... ai ai.

E falando em livro... esses dias fui fazer as contas, quase surtei quando [teoricamente] cheguei ao número 'menos de 20' livros nesse ano... mas depois fuça daqui, fuça dali, na verdade é quase 30... o/ E como estamos apenas em setembro, Acho que dá pra bater fácil...

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Falta falar de Closer, Mark Ruffalo, adptações cinematográficas de livros fodões, livros em geral [parece que não acaba nunca! =P]. Ocorreu-me até algo sobre política, depois algo sobre amor verdadeiro, só que a memória anda tãããão seletiva que nem sei mais o que era... Mas falta falar!

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E o pescoço es[cleeeeck]traaaala... Vida Cigana tocando forevermente no wmp, mas vou dormir, que amanhã a vida promete... hasta!
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Em tempo: covardia me e-no-ja... ¬¬'

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

WTF?

Takipariu, assim não dá! Agora são 09:58 de segunda, eu já cheia de ácido no estômago... Mais cedo, cheguei na sala e a professora dando esporro na turma, histérica, sabe aqueles gritos de irritar a gente? Então. Aí eu abro o horóscopo e leio 'momento de expansão corporal' e eles avisam, como se ninguém fosse pensar nisso: 'cuidado pra não engordar'. Momento em que eu pergunto, parafraseando a Flávia: na bunda não vai nada, né? Devo ter engordado 372 gramas só por me irritar tanto até agora - e a semana mal começou.
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Junta isso, todo o fight do fim de semana, as notícias bombásticas via orkut, mais o vogon à minha frente, e temos um princípio de bomba atômica.
E quando acaba, a maluca sou eu!
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P.S.: Pra compensar: já devorei um Arquivo X hoje! =)
***update***
Blogger burro que não entende a formatação que eu mando... ¬¬'

domingo, 7 de setembro de 2008

Procura-se!

Alguém sabe onde anda meu Noites Brancas, do Dostoiévski? :S
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Pensando seriamente em fechar temporariamente minha mini-micro-nano biblioteca pra uma leitura de estante decente - e também pra ver o tamanho necessário numa possível nova estante..!